Estadual.
FINALMENTE ENTREI para a 5ª série, escola nova, horário novo, tudo novo. Minha sala era a 5ª prata. Havia muitos amigos do bairro e da Escola Emília de Lima onde eu estudava. Tinha também 2 primos na sala o Paulo e o Diogo.
O que eu mais estranhei foi a quantidade de professores, um para cada matéria e mais estranho ainda era que não podíamos chamá-los de Tia ou Tio no caso dos professores. No Emília era uma professora, digo Tia por classe o ano inteiro.
No Estadual tinha o tal do Prelí. Prelí era o aluno novato, o calouro. Então nós novatos teoricamente devíamos pagar prendas para não levar “porrada” dos outros alunos “veteranos”.
Tinha prenda de tudo e qualquer sacanagem: Contar tijolos nos muros do corredor, medir o corredor com um palito de fósforos, afogamento no bebedouro, tapas na cabeça e o tão temido Par ou Impar. Esse você tinha que jogar com o espelho. O espelho era Par e você era Impar. O Problema era que o Prelí tinha que ganhar para não levar prenda.
Mas a única coisa que ele ganhava eram tapas na nuca.
Um “belo” dia para minha sorte, o meu irmão e outros amigos do bairro já veteranos no Estadual invadiram a 5º prata no recreio e literalmente me arrancaram da cadeira. Fui levado para o muro dos tijolos e ali fiquei por um bom tempo contanto tijolos e recebendo “tapinhas” na nuca.
Ainda bem que o recreio eram só 15 minutos.
O que mais queríamos era que o ano letivo acabasse pois no próximo ano nós não seríamos mais Prelis. Sendo assim poderíamos descontar nos novatos.
Finalmente 6ª série. 1ª dia de aula, entrei na escola e vi todos aqueles Prelis no pátio. Fiquei planejando com uns amigos o que faríamos no recreio.
Logo que deu o sinal do recreio fui para o pátio procurar uma vítima.
Avistei um Prelí e fui em direção. Estendi a minha mão e pedi a benção.
-Benção Prelí.
Ele não me abençoou.
Daí dei-lhe um tapa na nuca. Em seguida tomei uma bela de uma estojada na cabeça.
Ainda bem que não era um estojo daqueles de metal. Na verdade até lembro da marca do estojo, foi um Pakalolo. Sua cor: verde limão.
No Estadual o Prelí era proibido.
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Por: Raphael Zanforlin Pessoa Dias
Publicitário, Fotógrafo e Videomaker











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